Afinal, o que são Cuidados Paliativos?

31/03/2016
Portal Hospitais Brasil

A maioria das pessoas já ouviu falar que existe uma nova modalidade de atendimento em saúde chamada Cuidados Paliativos. O tema está sendo cada vez mais discutido. A expressão ‘é um paliativo’ está em todo lugar. E claramente dá a ideia de algo que não resolve o problema, de solução desvantajosa ou passageira. Mas os cuidados paliativos nada têm a ver com algo temporário.

Dr. Paulo Sérgio Campos Salles, médico pneumologista, especialista em Medicina Paliativa da Clínica Sainte Marie, integrante do Grupo IPC Saúde, afirma que “muitos acreditam, equivocadamente, que cuidados paliativos se trata de ser ‘bonzinho’, de segurar a mão do paciente, afagar-lhe a cabeça. Isso é um engano frequente, mesmo entre médicos esclarecidos. Há uma resistência natural no ser humano a tudo que é novo. O desconhecido incomoda. Cuidados paliativos são novidade e podem intimidar alguns corações e mentes”.

De acordo com o médico, a expressão ‘paliativo’ vem do latim ‘pallium’, que significa manto, coberta. Os cavaleiros cristãos nas antigas cruzadas popularizaram esse tipo de manto para sua proteção nas intempéries. Cobrir alguém com frio, proteger. Daí surgiu o nome Cuidados Paliativos.

O especialista explica que, atualmente, o foco dos hospitais, das operadoras e dos médicos está voltado quase exclusivamente para a cura do paciente. “Para isso utilizam-se métodos invasivos e de alta tecnologia. Entretanto o sofrimento, a dor e outros sintomas são subestimados ou ignorados. Os cuidados paliativos focam no ser humano em sua plenitude sem esquecer-se do sofrimento. Para resolvê-lo não abre mão da tecnologia, do profissionalismo e do conhecimento. Os profissionais treinados em cuidados paliativos possuem uma visão diferente, de abordagem total ao paciente”.

Segundo Dr. Campos, em cuidados paliativos os sintomas físicos como a falta de ar; os problemas psicológicos como medos e angústias; os problemas sociais, como questões com o trabalho e a família; e as questões espirituais não são esquecidos. “O sucesso dos cuidados paliativos não depende da atividade de um médico ou de uma enfermeira apenas. Depende de uma equipe preparada, treinada na abordagem desse momento difícil na vida de uma pessoa. Além de trabalhar em prol do paciente e de seus familiares, a equipe multiprofissional volta-se também para a pesquisa científica e a divulgação do conhecimento”, ressalta o médico.

Neste sentido, a equipe visa resolver os diversos tipos de desconfortos que afligem o paciente, devolvendo-lhe a dignidade, promovendo o conforto e o bem-estar desde o momento do diagnóstico de uma doença incurável, acompanhando todo o tratamento, até o dia de sua morte. “E a morte não é considerada um fracasso ou uma derrota em cuidados paliativos. A morte é o elemento final comum de todo ser humano, um processo que faz parte da vida e que valida nossas existências, possibilitando o legado de amor, de conhecimento e de esperança que deixamos para quem vem depois de nós”, completa o especialista.


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