Google muda mecanismos para que a busca por sintomas seja menos assustadora

08/07/2016
Setor Saúde

É cada vez mais comum as pessoas consultarem ferramentas de busca online para um auto-diagnóstico. Os sintomas podem ser os mais variados, como uma dor de cabeça que não vai embora. As causas podem ser stress, falta de sono, óculos desregulado; raramente é algo mais grave, e você até sabe disso. Mesmo assim, por curiosidade, a pessoa digita “dor de cabeça” no Google – e se arrepende imediatamente. Textos e diagnósticos de aneurisma, enxaqueca e câncer no cérebro são alguns dos primeiros resultados. Assim, o paciente tem muitos motivos para se preocupar.


As respostas do “Dr. Google” nunca amenizam as preocupações: “diarreia vira câncer intestinal; secreção genital, gonorreia; dor muscular se torna um sintoma de infecção por uma superbactéria rara, que está prestes a te comer vivo”, compara uma reportagem da revista Superinteressante.


O Google, por sua vez, tem consciência disso, da mesma forma que sabe que não há como impedir as pessoas de buscarem informações sobre seus sintomas. “A única solução possível, então, é refinar o sistema de buscas para que os pacientes do Dr. Google não caiam direto em páginas sobre doenças graves quando estiverem com sintomas banais”, explica o texto.


A ideia é simples: ao procurar “dor de cabeça”, por exemplo, o Google vai colocar – antes mesmo dos primeiros links – resultados explicativos sobre doenças relacionadas ao sintoma e que não sejam tão preocupantes quanto o câncer. As primeiras informações serão como “sinusite”, “enxaqueca”, “gripe” ou simplesmente “tensão”. Em cada box-sugestão de doença, haverá mais informações, como outros sintomas, possíveis tratamentos e o que realmente requer uma consulta ao médico.


Adicionalmente a isto, ao pesquisar um sintoma, o Google dá sugestões de doenças menos assustadoras – e pode até propor tratamento. Para ter certeza de que a relação entre o sintoma buscado e as doenças sugeridas fosse a mais precisa possível, o novo mecanismo foi criado em parceria com várias instituições médicas do mundo todo – entre elas, a Escola de Medicina de Harvard e a Mayo Clinic, dos EUA, a Apollo Hospitals, da Índia, e o Hospital Albert Einstein, do Brasil.


Desde junho o sistema “anti-pânico” já existe nos EUA, e ainda não tem previsão de implantação em outros países – embora a multinacional garanta que seja em breve. O Google tem iniciado o trabalho como teste: junto com os boxes explicativos, o site também pede a opinião dos usuários, para ver se a estratégia está mesmo fazendo diferença.


O Google tem se dedicado a melhorar as buscas relacionadas à saúde, que correspondem a uma em cada 100 consultas diárias ao site.


Quem fez alguma busca deste tipo nos últimos meses, notou diferença no Google. Desde março de 2016, quando se procura por doenças como “catapora” ou “dengue”, o site apresenta verbetes explicativos escritos com a ajuda das mesmas instituições que auxiliaram no novo mecanismo anti-pânico. No Brasil, 500 desses verbetes foram feitos com a ajuda do Hospital Albert Einstein.


Embora seja uma ferramenta bastante útil, o Google não pode substituir uma opinião profissional. Mesmo com as melhorias, o site reforça que qualquer busca relacionada à saúde – e especialmente a procura por sintomas – não deve servir de diagnóstico.




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